segunda-feira, 29 de outubro de 2007

AO PASSEAR POR SUA PELE

Ao passear por sua pele

eu descubro quase tudo;

marcas, sardas, cicatrizes,

fendas, dobras, diretrizes,

essências que brotam impunemente

néctar envenenado de serpente

suor, saliva e aguardente.



Se não é, parece!

Pois toda a vez que eu percebo,

já nem sei das minhas pernas,

embriagado que estou.



Ao passear por sua pele,

deixo marcas preciosas,

abro todas as janelas,

escancaro minhas portas,

escorrego, não importa!

Se num recanto obscuro

eu me lambuzo do seu ser.



Ao passear por sua pele

eu me envolvo em suas teias

e absorvo tantas chamas,

colho gemidos quase loucos,

se não morri ainda, foi por pouco!



E então escrevo o absurdo,

poemas plenos e obscenos,

choro lágrimas convulsivas,

ferida aberta, carne viva...

Detesto a hora da partida,

pois toda vez que amanhece,

vou pra bem longe de você.